terça-feira, 18 de maio de 2010


Por um Consumo Consciente

Muito se discute na atualidade acerca dos problemas ambientais, porém esta se resume na questão do efeito estufa, como se o único problema ambiental se resumisse a ele. Não podemos perder de vista que este é o problema mais evidente e premente, capaz de afetar mais rapidamente a qualidade e viabilidade da vida na terra. Mas não é o único, devemos ampliar nosso horizonte de observação, para assim vermos o real problema ambiental.
Até bem pouco tempo o problema ambiental de maior relevância era a camada de ozônio, que perdeu a sua capacidade de filtrar os raios ultravioletas emitidos pelo sol. Os principais gases que afetam a camada de ozônio atmosférica são os CFCs (Flúor Cloro Carbonos) que eram muito usados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado e como gás pressurizador em latas de aerosol, e o NO que é um dos agentes da chuva ácida. Ambas as substâncias agiam atacando o ozônio e o destruindo numa velocidade maior que a possibilidade de sua reconstituição.
Porém, com políticas publicas no sentido de se diminuir a emissão dos gases que agrediam a camada de ozônio, e por fim no Protocolo de Montreal (2000) que proibiu os gases de CFC, e a substituição por compostos alternativos em nível industrial, atingimos bons resultados. Após estes gases atingirem um pico em 2001, logo em seguida começaram a diminuir, em 2006 a NASA divulgou um boletim afirmando que a camada de ozônio estava se recuperando, porém seus efeitos serão duradouros.
Outro ponto importante de discussão é acerca das propostas e políticas públicas apresentadas como solução para a questão do aquecimento global, girando sempre em torno da preservação das florestas. Concordamos que a solução passa por este ponto, mas não se resume a preservação, devemos mudar nosso modo de ser e estar no planeta.
Na contramão desse pensamento, vieram as políticas públicas governamentais brasileiras, que lançaram um pacote de incentivos fiscais para fomentar o consumo, como pretexto para salvar a economia de um possível colapso econômico, que se desenhava como mundial. Incentivaram a aquisição de carros, e de produtos da chamada linha branca.
O Brasil se vangloria de descobrir uma reserva imensa de petróleo no pré-sal, porém esta descoberta veio tarde demais, um pouco por sorte, pois seria uma carga imensa de poluição a mais que poderia ter sido jogada no meio ambiente, mas também um azar pois a mesma esta em plena exploração e em breve se tornará poluição.
Digo que foi uma descoberta tardia, porque a discussão acerca de energias limpas e alternativas já está em estágio bem avançado. O curioso é que o governo até bem pouco tempo, estava concentrando seus esforços no biodiesel e na fabricação do etanol, mas quando se confirmou a reserva de petróleo e a possibilidade de sua exploração, aquelas políticas foram subitamente esquecidas e relegadas a segundo plano.
Na atual modelo societário devem-se buscar diretamente os fins, onde o padrão atual é assentado numa lógica individualista e essencialmente consumista, levando Zygmunt Bauman afirmar que é na produção do efêmero, do precário e na busca pela atenção pública que se encontra a forma de despertar desejos nos possíveis consumidores, gerando um contexto de que nada dura ou deve durar.
Assim, o “ser” se conquista através do “ter” e é meta a se atingida, principalmente como tarefa individual, para a qual não existem regras de conduta específicas regulamentadas, ou até mesmo se constata a total falta de ética e moral nas relações, onde os meios são sempre adaptados e justificados pelos fins a serem atingidos.
Quando afirmo que a maneira de ser e estar do ser humano no planeta é a melhor forma de combater os problemas ambientais, e especialmente efeito estufa, faço isso no sentido de se alterar esta lógica consumista que o atual sistema social nos impõe, e que a aceitamos sem mesmo refletir ou questionar.
Esta lógica gira em torno de circulo vicioso, onde devemos consumir mais, assim nos endividar mais, para então trabalhar mais, se estressando com esse trabalho excessivo, por fim aliviar o estresse no consumo, e o circulo vicioso recomeça. A grande tarefa é transformar este circulo vicioso em um circulo virtuoso, onde devemos procurar “diminuir o consumo”, “reutilizar os produtos” e por fim quando a reutilização não for mais possível, fazer a “reciclagem”. Este é um circulo virtuoso, onde o consumo consciente é o grande objetivo a ser atingido.
Não se prega aqui acabar com o consumo, mas sim transformá-lo em consumo consciente, e isso é possível em pequenos atos do cotidiano. Como por exemplo, em vez de comprarmos um grande carro de luxo que consome muito combustível, podemos comprar um automóvel mais discreto e de baixo consumo, e principalmente utilizá-lo quando não for servido de transporte coletivo.
Esta decisão de mudar a forma de ser e estar no mundo, é uma decisão que cabe a cada um de nós, e reafirmo, o ato de consumo muda o mundo, devemos usar este ato para transformar o mundo de forma positiva e solidária com o próximo e consigo mesmo.
Porém esta é uma tarefa difícil, pois imaginamos um bem de consumo de muito valor para o ser humano, o bem de consumo de maior valor, qual seja: a vida, ou precisamente o tempo. Desperdiçamos nosso tempo de vida com futilidades e inutilidades, passamos um grande tempo trabalhando e nos preocupando em TER, deixando de aproveitar a vida com o que realmente possa nos proporcionar prazer ou compartilhar com nossos entes queridos. Se o ser humano faz isso com a sua própria vida, imagine o que é capaz de fazer com o meio ambiente enquanto permanecer nesta lógica.
O que decide o futuro que vamos ter é nós mesmos, e a questão do aquecimento ambiental não é só preservar as florestas, mas se refere principalmente ao consumo consciente.

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